Fabrica de sonhos


Aurora Vermelha

O cheiro de sangue me despertou. Estava jogado no mato, perto de algumas árvores, desfalecido, coberto pelo fluido vital. De certa forma, esta cena não era nova para mim: já acontecera algumas dezenas de vezes, sempre comigo do outro lado, brandindo o meu arco e chamando meus amigos para repartimos nosso prêmio recém-conquistado.

Mas naquele dia, eu era o tapir.

Meu ombro esquerdo latejava, estava com sete buracos, cada um com o diâmetro de um polegar por onde escorria o líquido vermelho. Nunca vi nada parecido. Fiquei pensando em qual animal poderia ter causado tal ferimento e porque não me devorou depois do abate. Não vi o que me atacou, só me lembro de um grosso rugido, tão forte como o de um trovão.

Coloquei minha mão sobre minha nuca. Doeu. Meus cabelos estavam ensebados e grudentos. Depois, levei-a até meus olhos turvos. Não sabia se machuquei ao cair ou se esta sangria foi provocada pelo mesmo bicho.

Estava definitivamente exausto. Com muito esforço, consegui sentar-me. Não tinha forças para ficar em pé e fiquei um bom tempo tentando recuperar as energias e ignorar a dor. Olhei em volta, procurando meu arco. Mas nada. Nem mesmo uma flecha.

Quando a dor passou um pouco foi que eu percebi que meu amigo estava morto. Ele também tinha os estranhos buracos, mas estavam na altura do peito e havia muito mais do que sete. Seu corpo estava coberto por um lençol vermelho. Tive vontade de chorar e acho que, naquele momento, uma ou duas lágrimas escorreram.

No mesmo instante, percebi que nossa brincadeira nos tinha custado muito caro. Eu era seu mentor e estava ensinando-o a caçar. Era a primeira vez que ele entrava na mata para pegar bicho grande. Normalmente, caçávamos em outro território, mais ao norte, perto das plantações de mandioca de nossa tribo, onde tapires corriam perto do rio, matando pobres macacos ou capivaras. Descobri este lugar há algumas semanas atrás e fiquei encantado com os cervos e com as aves-coloridas-que-cantam-bonito-que-eu-não-sei-o-nome. Senti que Arirag ficaria encantado com o lugar, e quanto a isso, não me enganei. Os caçadores mais velhos desaprovavam minhas vindas até aqui por ficar muito próximo a tribo dos guaranis e também por eles terem encontrados aqui algumas coisas muito estranhas, como alguns pedaços-de-pele-de-um-bicho-que-eles-nunca-viram. Eu nunca dei muita atenção ao que eles diziam, achava que era precaução demais, para não dizer que era somente covardia. Eu nunca tive medo de onça! Já matei mais de seis! Vou ter medo de algo que nunca vi? Era famoso na tribo por minha coragem, mas nesse dia prefira ser conhecido pela sabedoria.

Então, enquanto eu pensava em como explicar para a mãe de Arirag o evento e numa maneira de levar seu corpo de volta, vi o bicho que nos pegou. Tinha estranhas camadas sobrepostas de pele, um amontoado de couros distintos, cada um de uma cor e textura diferente. A que cobria a cabeça e as mão era branca como a mandioca e a cara era coberta de pelos com um nariz enorme. Andava sobre duas patas, e de certa forma, até parecia gente! Usava até uma espécie de cocar-sem-penas! Ele segurava um estranho tacape, feito de um material que não era madeira: era escuro que nem pedra. Estava cozinhando alguma coisa no fogo. Acho que era peixe ou passarinho, não sei, mas pelo cheiro, era carne de algum bicho pequeno. Ele virou para mim e falou alguma coisa num idioma muito feio. Não entendi nada, mas sua cara de bicho brabo dizia tudo. Eu estava morrendo de medo. Foi então que percebi que se trava dos estranhos homens-brancos que expulsara nosso povo do litoral há algumas gerações. Eu nunca tinha acreditado na existência deles, pensava que era mais alguma daquelas lendas que o velho pajé contava, mas agora, tudo fazia sentido! Ele veio correndo na minha direção, com medo, tentei me levantar e sair correndo, mas burro, apoiei com o braço esquerdo. Cai. E dormi de novo.

Acordei com uma dor terrível nas costas: eles me espetaram com um pau. Não podia ver o que estavam fazendo, mas sentia o cheiro de pele queimada. Nunca senti tamanha dor, nem mesmo quando tomei flechada dos guaranis. Era desesperador e nada podia fazer: estava com as mãos atadas por um cipó muito estranho. Os homens-brancos, depois de me queimarem, me jogaram no chão e chutaram minha barriga, saíram e trancaram a porta. Eu estava numa oca estranha, cheio de outros homens e mulheres. Eram de tribos diferentes, muitas que eu completamente desconhecia. Vi até mesmos alguns guaranis. Falavam idiomas diferentes – eu identifiquei uns sete- e cada nação tinha uma postura distinta, porém, todos estavam abatidos.E isto nos unia. Parecíamos uma grande e homogênea tribo. Garanto que não havia diferença entre nós para aquele que me alvejou. E de fato, naquela situação, não havia: estávamos todos marcados pelo mesma pedra-de-fogo.

Tentei me levantar. Consegui com algum esforço. Estava desesperado. Queria voltar para casa e ver meus amigos! Queria abraçar minha mãe e brincar com meu macaco nhê-nhê! Como me arrependo de não ter ouvido os caçadores mais velhos! Como gostaria de nunca ter conhecido aquele demônio branco!

A oca era completamente fechada, com exceção de uma pequena janela onde alguns homens disputavam para tomar algum ar. Cheguei perto dela, assim que um guarani saiu. Estava tímido e agia com muita sutileza. Olhei através dela e vi o homem-branco que me trouxe aqui. Ele estava com um tacape-com-uma-pedra-afiada-na-ponta e um estranho sorriso nos lábios. Parecia que ele estava feliz e descontente simultaneamente; ele olhava o tacape-com-uma-pedra-afiada-na-ponta, fazia movimentos com ele como se estivesse golpeando o ar e passava o dedo na pedra par ver se estava afiada. Levou-o até a boca e ficou olhando para a mata. Fixou por alguns instantes, depois olhou para oca, exatamente para esta janelinha. Percebi que estava olhando em meus olhos. Estava com medo, mas consegui encará-lo. Ele olhou novamente para o machado, depois para mim e entrou na floresta.

Tive uma péssima sensação que verei os meus amigos amanhã.

 

                                                             Rodrigo Moreira Pinto



Escrito por Equipe FLoX às 00:24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

O Arnaldo é um dos maiores críticos da sociedade brasileira, é comentarista
do Jornal da Globo e já foi diretor de cinema. Seus comentários cáusticos e
irônicos atigem a todas as classes sociais.

Arnaldo Jabor

- Brasileiro é um povo solidário. Mentira. - Brasileiro é babaca.
Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem
para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;
Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo
uma solução para pobreza;

Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade...
Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de
propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.
-Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.
-Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara
e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer
piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um
sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão,
ri feito bobo.

-Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência. - O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que
ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são
oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil
por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no
fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.
Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não
aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família)
não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira. - Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. - Se você oferecer
50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego,
mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse
uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.
90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. - Já foi. Historicamente, as favelas se
iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram.
Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.
Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como "aviãozinho" do tráfico
para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar
os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas.
Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de
operação nas favelas. O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa
em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.

Num país onde todos têm direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país
em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.
Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder
central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores,
deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento
dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.
Democracia isso? Pense !

O famoso jeitinho brasileiro.
Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha
malandro, muito esperto. Faz um "gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.
No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá
com a felicidade de ter ganhado na loto...malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o
retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né?
Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como
seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil,
o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar...
O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais
sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:
O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como
o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia
pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do
planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão.Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida
nenhuma o mais importante: Água doce!
Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?


DEIVS


Escrito por Equipe FLoX às 15:58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

1..2..3...teste, testando...
TESTANDO....Alguém por ai?
ESTAMOS TENDO FALHAS NA COM...
....COMUNICAÇÃO....
AS COISAS JA VOLTARAM AO NORMAL.
VOLTANDO, VOLTANDO.
1...2...3...teste..
É isso aí!!!!!!!!!!!!

Escrito por Equipe FLoX às 15:06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

1..2..3...teste, testando...
TESTANDO....Alguém por ai?
ESTAMOS TENDO FALHAS NA COM...
....COMUNICAÇÃO....
AS COISAS JA VOLTARAM AO NORMAL.
VOLTANDO, VOLTANDO.
1...2...3...teste..
É isso aí!!!!!!!!!!!!

Escrito por Equipe FLoX às 15:02
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


   

Histórico





       10 pãezinhos
       Homem-Grilo
       Blog dos quadrinhos
       Omelete
       Pensamento e Devir
       inteligivel
       a VIDA em QUADRINHOS
       underground
       zinebrasil
       Sean Phillips
    Apóie essa idéia!